A Escola Dinâmica mantém um Centro de Desenvolvimento Profissional - Dinâmica RESTART - que tem por objetivo dar suporte contínuo a diferentes profissionais da área da Educação, tendo como referência a construção pedagógica de 45 anos de sua trajetória no segmento educacional.
“Acreditamos que, com formação continuada, os profissionais podem ampliar, refletir e enriquecer suas práticas pedagógicas. E isso resulta em uma experiência mais rica e transformadora em sala de aula”, pontua a diretora Roberta Diener, idealizadora do Restart.
Continuadamente, a Escola realiza trocas de experiências e suporte com parceiros educacionais, buscando criar um ambiente de aprendizagem rico, que produza um efeito profundo e positivo na qualidade das interações, possibilitando novos aprendizados, múltiplos conhecimentos e visando a transformação.
A Formação Pedagógica 2024 contou com a participação de profissionais que atuam na Escola Dinâmica e que integram o Centro de Desenvolvimento Profissional Restart. Ao lado de diferentes especialistas que estiveram atuando na programação 2024, quatro assessoras da Escola Dinâmica conduziram treinamentos focados nas metodologias ativas de aprendizagem e no modelo Dinâmica de atuação pedagógica.
Evelyn da Rocha, Inara Moraes, Samira Bastos e Gisele Goedert trouxeram para as equipes, além das vertentes teóricas e suas formas de aplicação, o DNA da Dinâmica.
Já com diferentes práticas pedagógicas que se utilizam das metodologias ativas de aprendizagem inseridas na rotina escolar, em diferentes disciplinas, destaque do treinamento 2024 foi a “Aprendizagem baseada em Fenômenos”.
A condução foi da assessora pedagógica, Evelyn da Rocha, que apresentou a metodologia considerada a mais complexa, entre as metodologias ativas de aprendizagem, por reunir “etapas” de outras abordagens, provenientes aprendizagem baseada em problemas e da aprendizagem baseada em projetos.
Segundo Evelyn, esta metodologia “oferece maior relevância aos conteúdos por inseri-los na lógica do letramento científico, com exercícios de recorte de temas, de elaboração de hipóteses, de pesquisa de campo apoiada em coletas de dados/informações reais e de consolidação dos resultados”.
Outro tema destaque durante a Formação Pedagógica foi o Workshop ministrado pelas assessoras pedagógicas, Evelyn da Rocha e Samira Bastos. Inspiradas na obra da coordenadora educacional norte-americana, Jéssica Vance - “Leading with a Lens of Inquiry - Liderando com Lentes de Investigação”, elas apresentaram à equipe de professores de Ensinos Fundamental e Médio, novas possibilidades para criação de espaços de aprendizagem que despertam a curiosidade e inspiram o pensamento crítico nos alunos.
“Liderar com uma lente de investigação consiste em estar em um constante repensar da nossa abordagem com os alunos, considerando o valor do processo de aprendizagem compartilhado. Trata-se de fazer perguntas, de cultivar a curiosidade e o desejo de investigação, num processo de co-criação de saberes”, explica a assessora pedagógica, Evelyn da Rocha.
Outro ponto importante destacado pelas facilitadoras é que durante este processo conjunto de construção de conhecimento, do professor com seus alunos, são construídas rotinas de pensamento visível.
Samira Bastos explica que elas são concretizadas nas chamadas “paredes de aprendizagem”, verdadeiros registros de processos de elaboração de significados desenvolvidos pelos alunos, com a participação ativa dos professores. “As paredes de aprendizagem apresentam através de imagens e perguntas o pensamento e planejamento compartilhado das turmas”, complementa.
Nesse sentido, “as salas de aula tornam-se evidências de documentação e investigação, que nos ajudam a sistematizar e elaborar pensamentos, conversas e ideias exploradas entre os alunos”, finaliza.
Gisele Goedert, com 16 anos de atuação como alfabetizadora na Dinâmica, multiplica estratégias de aprendizagem alinhadas à proposta pedagógica da Escola.
O período de Alfabetizaçãono primeiro ano do Ensino Fundamental é uma etapa de extrema importância na vida escolar de qualquer aluno. Com uma boa condução, é nesta fase que a criança torna-se autônoma em suas descobertas, interessada pelo mundo letrado e, principalmente, desenvolve espontaneidade na construção da leitura e da escrita.
Com o olhar focado na importância deste processo, a Escola Dinâmica reuniu os professores alfabetizadores das cinco Unidades em uma formação com a, hoje, assessora pedagógica, Gisele Goedert, que atuou durante 16 anos como professora alfabetizadora, na Unidade Ambiental, e adquiriu o DNA da Escola para multiplicar as estratégias de aprendizagem, alinhadas à proposta pedagógica da Dinâmica, na condução desta etapa tão importante da vida escolar.
“Aprender a ler e a escrever é uma trajetória única e individual. E por isso deve ser percebida e conduzida com esse olhar de singularidade, a partir dos repertórios de cada criança”, explica Gisele.
Ela pontua ainda que o processo de alfabetização não está dito em manuais, livros didáticos ou apostilas, também não é um processo espontâneo, para a maioria das crianças, e nem deve estar ligado ao modo como o adulto, no caso, o professor, adquiriu este aprendizado.
“A forma como a Escola conduz esse caminho para a aquisição da habilidade de ler e escrever deve ser construída através de intervenções que representem o que acreditamos como modelo de alfabetização, para que se torne uma jornada estável, compreensível e visível para nossa equipe de alfabetização”, diz “Queremos um caminho assertivo na construção de saberes e da própria formação do sujeito: letrado, leitor e escritor de sucesso”, finaliza.
A formação se desdobrará ao longo do ano de 2024 com outros encontros. O objetivo é que os professores possam identificar, com mais clareza, o que a Escola Dinâmica acredita como prática pedagógica, compartilhando vivências das rotinas, refletindo sobre novas conexões possíveis e transformando esse processo em uma experiência incrível de muitas descobertas.
Pensar os ambientes como “terceiros educadores” tem sido uma orientação da Escola Dinâmica que, ao longo dos últimos anos, tem investido em espaços pensados com intencionalidade e organizados de forma a tornar o aprendizado ativo, oferecendo diferentes possibilidades e materiais que enriquecem este processo.
“O espaço interage, modifica-se, toma forma de acordo com projetos de interesse, sequências investigativas e experiências, num diálogo constante entre a arquitetura e a pedagogia”, explica a diretora Roberta Diener.
O conceito está presente na obra do pedagogo italiano Loris Malaguzzi, criador da abordagem de Reggio Emilia, inspiração da Escola Dinâmica no seu fazer pedagógico e que, entre outros, aponta os ambientes educadores, como fundamentais na jornada de educar crianças pequenas.
“Dentro desta visão, ampliamos nossos estudos para a Rica Normalidade, outro conceito de Reggio Emilia e que nos possibilita aprofundar as relações de professores e crianças nestes espaços de aprendizagem”, conta a assessora pedagógica da Educação Infantil, Inara Moraes.
“Com a assessoria do Doutor em Educação, Paulo Fochi, durante todo o ano de 2023, fomos convidadas a pensar na Rica Normalidade “a buscar um complexo equilíbrio espacial nas salas de referência, o que significa uma normalidade que vai além de um espaço que provoque experiências para as crianças, mas, sim, que se mantenha normal e complexo, novo e habitual”.
Outro ponto destacado por Inara é o “gerenciamento consciente e competente” do que pode acontecer em um espaço com grupos de crianças pequenas. “Nossa equipe precisa estar preparada para lidar com grandes descobertas, conflitos ou contradições, no sentido de manter um ambiente saudável, um espaço natural de convívio”, indica.
OFICINAS DE ARTE
Para enriquecer os repertórios das equipes para novas possibilidades de uso e aplicação de materiais nas “Salas de Referência” - como a Dinâmica se reporta aos espaços de vida coletiva da Educação Infantil -, as semanas de treinamento incluíram diferentes oficinas de arte, ministradas por atelieristas contratadas e profissionais da Escola.
Oficina de Literatura nos começos Linguageiros de bebês e crianças pequenas - com a assessora pedagógica, Inara Moraes.
Oficina de Aquarela - com a atelierista, Elisangela Mira da Costa
Oficina Linguagem do Barro - com a atelierista, Viviana Schames
Oficina sobre Riscantes - com a atelierista, Bárbara Bessa
Oficina Linguagem dos Papéis - com a coordenadora da Educação Infantil, da Unidade Leste, Karin Orofino.
Oficina de Madeira - com o atelierista, Gerson Renato da Silva Costa
Inara explica que as oficinas foram pensadas no sentido de ampliar os saberes das equipes sobre materialidades. “Ter um contato de maior intimidade com a materialidade do barro, por exemplo, oficina ministrada pela atelierista Viviana Schames, possibilitou reflexões e vivências poéticas, dando novos sentidos a toda a força da natureza, em sua forma”, enfatiza Inara.
DOCUMENTAÇÃO PEDAGÓGICA
A Escola Dinâmica tem ainda expandido as discussões para o Processo Documental, maneira sistematizada de organizar os registros e observações dos professores, também uma referência da abordagem de Reggio Emília.
A prática já é implementada na Escola, mas “se expande nas rotinas pedagógicas, à medida que os professores aprofundam saberes e ganham experiência nos registros das vivências”,avalia a assessora Inara Moraes, responsável por abrir a semana de Formação Pedagógica 2024.
Ela conta que escolheu o caminho de tornar a organização do processo documental visível, elencando as conquistas e o todo aprendizado de 2023.
“Fui mostrando as reflexões que os professores de cada Unidade desenvolveram no decorrer do ano. O quanto se encantaram e produziram pensamento pedagógico a partir daquilo que registraram das aprendizagens individuais e em grupo das crianças”, disse.
Inara complementou que a prática dialoga com a própria sistemática do processo documental, que é olhar para os observáveis - registros em fotos, textos, vídeos - seguida de reflexão sobre o processo de aprendizagem.